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Assentados e quilombolas trocam conhecimentos no IV ENA em Belo Horizonte


Publicado dia 05/06/2018
 
Assentados da reforma agrária e quilombolas de todas as regiões do Brasil participaram das discussões e expuseram suas produções durante o IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), realizado entre os dias 31 de maio e 3 de junho no parque municipal de Belo Horizonte (MG). O evento foi organizado pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), com patrocínio do governo federal, entre outras entidades.
 
Mais de duas mil pessoas participaram como credenciadas dos seminários temáticos, plenárias, feiras e apresentações culturais. A população da capital mineira também esteve presente de maneira expressiva do encontro, especialmente no final de semana durante a Feira de Saberes e Sabores com a exposição de produtos agroecológicos de todo o país.
 
Entre os objetivos do ENA estão a apresentação à sociedade dos benefícios da agroecologia; o engajamento em políticas públicas como a reforma agrária; a defesa dos territórios de comunidades tradicionais; o fortalecimento da agricultura familiar e dos coletivos urbanos que adotam a prática e a aliança dos movimentos agroecológicos em redes.
 
Presente no evento, o agricultor Ivo Ricardo Barfknecht trabalha com agroecologia desde a década de 90 em um coletivo no assentamento Cunha, criado pelo Incra no município de Cidade Ocidental (GO). Os assentados são certificados como produtores orgânicos e têm seis pontos de comércio dentro de Brasília (DF). “Como nessa área se plantava apenas soja, os córregos tinham secado tudo e nós queríamos recuperar as nascentes. Hoje o córrego abastece o assentamento dentro da propriedade da gente, dentro da área coletiva”, destacou.
 
Durante a Feira de Saberes e Sabores do IV ENA, aberta aos belo-horizontinos e turistas, Barfknecht expôs variedades de feijão orgânico produzidas pela Associação de Agricultura Agroecológica (AGE), montada no assentamento. “Eu acho que é o meio de fazer esse intercâmbio de produtores e conscientizar a população”, considerou sobre o evento.
 
Sem atravessadores
 
A participação em feiras livres, por meio das redes de agroecologia, tornou-se um fator essencial aos assentados para eliminarem a figura dos atravessadores e aumentarem a lucratividade com a venda direta da produção orgânica, que tem maior valor agregado.
 
O estabelecimento de pontos de venda direta em municípios vizinhos ao assentamento Várzea do Mundau, em Trairi (CE), como Itapipoca, Tururu, Paracuru, Quixadá, Apuiarés e General Sampaio garantem maior lucratividade ao assentado José Júlio Rodrigues. “O atravessador quer comprar o nosso produto mas nós não vendemos”, garante. O assentado cultiva 85 espécies de plantas como caju, graviola, manga, laranja, mamão, acerola, abacaxi, cebola, coentro e beterraba. Alguns deles são beneficiados para a venda, como a cajuína, bebida típica da região.
 
O assentado endossa a importância da produção agroecológica em comparação ao uso de agrotóxicos. “A agricultura agroecológica tem vivência, quem usa veneno está liquidando a vida, não tem como sobreviver, está comendo uma coisa sabendo que vai morrer. Dentro da agroecologia a gente cuida da saúde, da natureza. Ao usar veneno, você acaba com tudo isso. A minha área é referência e eu tenho orgulho disso”, acentua Rodrigues.
 
Prática coletiva
 
A produção e a comercialização coletiva entre redes, associações e cooperativas de agricultores é também um fator marcante no método agroecológico. Cerca de 105 famílias assentadas e outras 400 acampadas no sul de Minas Gerais se uniram para produção de café, derivados do milho, rapadura, açúcar mascavo, pimentas e conservas.
 
“Foi um processo de resistência e trabalho coletivo. Conseguimos parcerias para o beneficiamento do café e o desenvolvimento da nossa marca. A apresentação dos produtos melhorou muito a comercialização”, relata Tuira Tule, agricultora do assentamento Nova Conquista, em Campo do Meio (MG). Algumas das famílias já têm a certificação de produção orgânica e outras estão em fase de transição agroecológica.
 
Para eles, a participação no IV ENA sucedeu o encontro regional do Sul de Minas e teve relevância na disseminação do conhecimento. “A gente se dividiu entre os grupos de debate como o de mercado alternativo, de acabamento de produtos, da questão das mulheres e das políticas públicas para conseguir acompanhar todos e depois juntar esse legado coletivo”, explicou.
 
Troca de saberes
 
Maria Rita dos Santos, do assentamento Dom Hélder Câmara, em Murici (AL), corrobora a importância da troca de conhecimentos por meio das sementes que trouxe para o IV ENA. “Costumo dizer o que minha avó dizia: quem come toda semente é amaldiçoado, quem guarda a sua semente é pro resto da vida. Esse conhecimento, essa troca de sementes, de saberes, de sabores, faz com que a gente conheça a realidade um do outro”, disse.
 
O encontro não defendeu apenas a prática da agroecologia, mas defendeu direitos correlatos ao tema. Durante a plenária quilombola realizada na manhã do sábado (2), os participantes, em síntese, reconheceram “que a agroecologia é uma prática cultural ancestral e produtiva dos quilombos e é preciso defender seus territórios como modo de vida e de bem viver, pois sem a terra o quilombo não sobrevive”.
 
Saiba Mais:
 
 
 
 
 
IV ENA
 
 
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