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Experiência agroecológica transforma conceito de produção no Espírito Santo


Publicado dia 14/06/2018
 
No assentamento Gaviãozinho, localizado no município de Nova Venécia, na região Noroeste do Espírito Santo, uma família está contabilizando os ganhos e as vantagens de terem adotado a agroecologia como nova forma de produção.
 
O casal de agricultores Silene dos Santos e Valdomiro Pereira Barros iniciou, há aproximadamente uma década, o plantio de café no sistema agroecológico. No dia 29 de maio, os assentados computaram, pela primeira vez ao longo de todos esses anos, os resultados obtidos com a produção do café orgânico em separado do cultivo tradicional, diante dos servidores do Incra/ES que acompanharam a colheita dos grãos.
 
O processo de transição para o sistema agroecológico teve início em 2006, quando o engenheiro agrônomo do Incra no estado, Nelson Salgado Tavares, que havia concluído o mestrado em Biologia Vegetal pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), pretendeu pôr em prática seus estudos sobre a nova prática. Para isso, contando com o apoio da autarquia, realizou reuniões no assentamento Gaviãozinho e em outras áreas de reforma agrária com o objetivo de estimular a adesão por parte desses agricultores familiares ao sistema agroecológico de produção.
 
À época, ao participarem da reunião sobre a agricultura natural e suas técnicas, Valdomiro e outros assentados expressaram interesse em fazer parte da empreitada. A partir de contatos institucionais do Incra/ES na formulação de parcerias para que o projeto fosse à frente, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) contribuiu com a ação ao doar para os agricultores sementes de café da espécie robusta tropical.
 
Em virtude de motivações diversas, com o tempo vários assentados abandonaram as práticas agroecológicas. Todavia, por acreditarem no conceito, os agricultores Silene e Valdomiro mantiveram sua convicção nessa forma de cultivo.
 
Cenário atual
Já em 2018, agora tendo concluído o doutorado em Biologia Vegetal pela Ufes e pela Universidade de West Virginia, nos Estados Unidos, o engenheiro agrônomo do Incra/ES, Nelson Tavares, pretendia verificar a situação do projeto iniciado há cerca de uma década. Daí a proposta de visitar o assentamento Gaviãozinho para conhecer o atual contexto em termos de processos de produção local no sistema de cultivo de agricultura natural ao acompanhar, especificamente, a colheita dos grãos deste ano.
 
Durante a visita em maio, o casal Silene e Valdomiro colheu 19,7 sacas do produto – que pilado deve render cerca de cinco sacas e gerar uma renda de, aproximadamente, R$ 2 mil. Ainda que a área experimental utilizada seja pequena (aproximadamente 675 m², com 375 pés e computada a produção de 225 pés) os números são bastante significativos em relação à produção por hectare obtida no sistema convencional.
 
E embora os números não sejam tão expressivos em relação ao montante do café cultivado no sistema tradicional (que conta com cerca de 12,5 mil pés), o resultado deixou o agricultor Valdomiro bastante satisfeito com o que viu. “Para mim foi uma surpresa pelo retorno que dá, porque reduz as despesas e evita lidar com agrotóxicos”, comenta o agricultor.
 
Durante a colheita, o engenheiro agrônomo Nelson Tavares realizou um cálculo rápido para efeito de projeção do que uma área maior poderia resultar ao assentado em termos de produção no sistema agroecológico. “Se considerarmos que um hectare comporta cerca de 3,3 mil pés de café, teríamos uma produção de algo em torno de 295 sacas de produto verde ou 73 sacas piladas: o equivalente a R$ 29,2 mil. Além de todas as vantagens da agricultura natural, isso é muito mais do que a média obtida na produção pelos métodos tradicionais”, defende.
 
Esse raciocínio alinha-se a uma experiência relatada pelo próprio Valdomiro. Tempos atrás ele plantou em uma área do lote cerca de 5,7 mil pés de café pelo sistema tradicional e colherá menos de 80 sacas do produto (cerca de 20 sacas piladas) neste ano por conta da infestação de colchonilhas.
 
Novos horizontes
Diante do resultado obtido em 2018, o agricultor pretende aumentar a área de plantio do café agroecológico em mais um hectare (cerca de 3,3 mil pés), em local diverso do atual para que não tenha contato com a produção tradicional. A ideia é produzir mudas em setembro, geradas a partir de sementes selecionadas dos grãos colhidos no final de maio, e transportá-las para o local escolhido para plantio em novembro deste ano.
 
Pela vontade do assentado em expandir sua lavoura, apostando que ele possa melhorar sua produção e, principalmente, passar a se dedicar no futuro somente ao sistema agroecológico, e engenheiro agrônomo do Incra/ES transmitiu novas dicas ao agricultor. “Nessa área a ser utilizada em breve, é interessante não adicionar adubo (insumos) desde o processo de germinação, exceto da matéria orgânica (autóctone) de 'compostagem horizontal', advinda do próprio mato roçado ou cama dos restos de guandu ou feijão de porco”, orientou Tavares.
 
O trabalho desenvolvido pelo casal Silene e Valdomiro no lote do assentamento tem o apoio dos seus filhos. Hoje, além do café, a família produz frutas e legumes e ainda cria alguns animais, como galinhas e porcos, para subsistência e comercialização do excedente. Também cultivam pimenta, cuja produção geralmente é estocada para ser vendida no momento mais adequado em termos de preço ou de necessidade.
 
Para o superintendente regional do Incra/ES, o também engenheiro agrônomo José Filho, o cultivo no sistema agroecológico e a busca por alimentos mais saudáveis são tendências mundiais que devem se expandir muito no futuro. “A produção agroecológica e/ou natural é bem-vinda e estimulada como conceito junto aos agricultores familiares assentados à medida que, além de oferecer alimentos livres de agrotóxicos, é um nicho de mercado pelo valor agregado em sua comercialização”, declara.
 
 
Assessoria de Comunicação Social do Incra/ES
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