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Pronera forma primeira turma de beneficiários do Crédito Fundiário


Publicado dia 09/08/2017

 

Após três anos e meio frequentando o ensino superior, 29 agricultores do Rio Grande do Sul receberão o título de Tecnólogo em Agropecuária em uma ação inédita no país. Eles integram a primeira turma do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) composta exclusivamente por beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) e foram atendidos pelo convênio entre Incra/RS e Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI). A cerimônia de entrega dos diplomas será na sexta-feira (11), às 19 horas, no Salão de Atos da universidade – Campus Frederico Westphalen, a 426 quilômetros de Porto Alegre.

Para o coordenador-geral de Educação do Campo e Cidadania do Incra, Iradel Freitas da Costa, o curso “qualifica o homem do campo levando conhecimento teórico e científico. O agricultor se torna assessor técnico dele mesmo, da família e da comunidade”, afirma.

Costa também lembra que a incorporação de beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) ao Pronera foi prevista no Decreto nº 7.352, de 2010. A iniciativa pioneira Incra/URI satisfez uma demanda da região do Noroeste gaúcho, com forte presença deste público. Posteriormente, outros cursos no país abriram a possibilidade de atender o mesmo segmento em turmas mistas junto com outros perfis de agricultores cadastrados pelo Incra.

Diploma

Para fazer jus ao diploma, os graduandos de Tecnologia em Agropecuária cumpriram 42 disciplinas compostas por 2.490 horas divididas entre tempo universidade, de aulas presenciais, e tempo no meio socioprofissional. A pedagogia da alternância adotada pelo Pronera deu suporte a uma proposta curricular na qual cada agricultor elaborou um projeto profissional e de vida. Com auxílio de um professor orientador, o plano foi construído a partir das inclinações pessoais do acadêmico e colocado em prática na propriedade da família, após estudos sobre suas características e vocação produtiva.

O superintendente do Incra/RS, André Bessow, destaca que a metodologia permitiu o fortalecimento da sucessão familiar, uma vez que os programas de trabalho foram voltados a viabilizar as atividades agrícolas dos estudantes desde o primeiro semestre de aulas. “Eles têm embasamento para auxiliar na produção específica de sua propriedade. Serão agricultores formados”, comenta o dirigente.

Já o coordenador da graduação, Luis Pedro Hillesheim, destaca o processo coletivo construído ao longo da graduação. “Os estudantes tinham focos comuns, como pagar o financiamento do crédito fundiário a partir da produção agrícola da propriedade. Discutiam os problemas particulares no conjunto e encontravam soluções coletivas”, conta.

Segundo o professor, o instrumental metodológico abrangendo trânsito entre universidade e comunidade consolidou a relação dos formandos com o contexto rural. “Eles não saíram do campo. Pelo contrário, muitos ampliaram o papel de protagonistas nas ações de suas localidades antes mesmo da formatura”.

Conquistas

“É uma vitória nossa porque toda a turma batalhou para chegar até aqui”, considera Liane Maier Hann, de São José das Missões. Mãe de Vitória Gabriele, de 11 anos, ela contou com apoio da família, dos colegas e até dos vizinhos para ingressar em novas searas de aprendizado, como a informática, e cumprir as atividades da graduação sem deixar de lado os cuidados com a casa e a propriedade. Pensando no futuro, optou pela piscicultura como projeto produtivo.

Para ela e demais educandos, a despedida do período universitário iniciou em maio deste ano com a apresentação dos trabalhos de conclusão de curso. Doze projetos foram defendidos fora da universidade na intenção de intensificar o contato entre grupo e comunidade. “Ver os técnicos discutindo teu projeto foi um crescimento enorme”, conta Magnos Alexandre Petter, que desenvolveu uma proposta de produção de leite a pasto. Em julho, os formandos ainda participaram de um seminário de avaliação do curso e uma última viagem de estudos ao Uruguai.

“Em tempos passados, o agricultor estudava para sair do campo. Hoje ele precisa estudar para permanecer lá”, arremata o assegurador no Pronera no Incra/RS, Walter Aragão.

Abrangência

Criado em 1998, o Pronera beneficiou 3.376 educandos no Rio Grande do Sul ao longo de sua existência. Atualmente, o programa mantém 519 matrículas, entre as quais a segunda turma de Tecnologia em Agropecuária em parceria com a URI. A terceira edição da iniciativa está aprovada pela Comissão Pedagógica Nacional.

 

 

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