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Pronera: Jovens assentados aprendem a analisar qualidade da água e do solo no RS


Publicado dia 30/08/2017

 

A análise de águas encontradas nos assentamentos de Pontão – município gaúcho localizado a 330 quilômetros de Porto Alegre – foi tarefa desta semana para um grupo de estudantes do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Atendidos pelo convênio entre Incra/RS e o Instituto Educar, os estudantes participam de um projeto de extensão que alia estudos sobre a qualidade dos recursos naturais com a vivência nos lotes da reforma agrária. O objetivo é reunir informações que sirvam de subsídio para propostas produtivas construídas em conjunto com os agricultores, ao mesmo tempo em que fortaleçam a formação dos futuros profissionais.

O foco da etapa atual são as águas de superfície. Na segunda-feira (28) os educandos assistiram a uma oficina de coleta e avaliação de amostras retiradas dos três principais arroios (riachos) existentes na área à qual o projeto se dedica. Na terça (29) e quarta-feira (30), discutiram os resultados preliminares com famílias assentadas nesses locais.

Em fases anteriores, os educandos examinaram características do solo presente nos lotes estudados, como cor, textura, presença ou não de microfauna, resistência à penetração, compactação e capacidade de absorção de água. Outra amostragem ocorreu em dez poços artesianos de abastecimento hídrico.

Segundo o coordenador do Instituto Educar, Jacir Chies, até agora a pesquisa evidenciou situações distintas na qualidade dos recursos disponíveis nos assentamentos. “Alguns solos demonstraram condições melhores e outros apresentaram principalmente compactação”. Além das avaliações de campo, o trabalho inclui testes laboratoriais realizados gratuitamente pela Universidade da República do Uruguai (Udelar). “Faremos um seminário em setembro para reunir educandos, assentados e instituições de ensino parcerias. Vamos expor os dados encontrados e debater juntos as melhores opções produtivas para os agricultores”, revela Chies.

Acompanhamento
A pesquisa sobre solo e água faz parte do projeto maior de extensão mantido pelo Instituto Educar e vinculado às atividades do Pronera/Incra. A cada tempo escola – período em que se realizam as aulas presenciais – os 125 matriculados da instituição convivem pelo meno dois dias junto às famílias que se cadastraram para participar da iniciativa. A observação foi organizada em quatro setores produtivos principais: hortas, leite, grãos e autoconsumo.

Do total, 103 acadêmicos são das duas turmas de Agronomia, graduação implantada em parceria com a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Os integrantes deste grupo revezam-se no acompanhamento de 50 lotes situados nos assentamentos: Encruzilhada Natalino I, II, III e IV, todos localizados no município de Pontão.

A mesma lógica começa a ser incorporada no curso de Tecnologia em Agropecuária com Habilitação em Agroecologia, estabelecido com apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) campus Sertão. Neste caso, os 22 educandos farão as atividades no assentamento Bom Recreio, em Passo Fundo.

Resultados
Graduando de Agronomia, Bruno da Silva Rodrigues, considera que o projeto facilitou o encontro entre saberes teóricos e práticos. “Em uma das visitas ajudei a família a implantar uma área de irrigação. Em um dia, aprendi detalhes técnicos que levei duas semanas em sala de aula tentando entender”.

Filho de beneficiários da reforma agrária no Paraná, o jovem de 22 anos empolga-se com a metologia baseada em interação. “A ideia não é despejar conhecimento em cima do agricultor, mas construir a solução junto com ele, criar um sentimento de pertença. Quem aprende a dialogar com o camponês na faculdade, leva isso para o resto da vida".

Voluntária para receber os estudantes, Salete Grasselli, do assentamento Encruzilhada Natalino – Fase II, endossa os benefícios citados por Bruno. “Decidi entrar no projeto para colaborar com o aprendizado deles. Muitos alunos são de outras regiões do país e é um jeito de conhecerem a nossa realidade”.

O professor Chies observa outras consequências. “Ao longo do tempo, as famílias passaram a reconhecer a escola como espaço para tirar dúvidas e auxiliar no desenvolvimento das atividades produtivas. Já os estudantes conseguiram visualizar os problemas enfrentados por cada setor produtivo dos assentamentos e estão tentando direcionar os conhecimentos teóricos e prática para solucionar essas dificuldades”.

Além do Instituto Educar e da Udelar, o projeto de extensão recebe apoio da UFFS e do IFRS.

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