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Reisado de assentamento cearense recebe título de Tesouro Vivo da Cultura


Publicado dia 03/07/2018

O Reisado da Família Ramos foi reconhecido como Tesouro Vivo da Cultura Cearense, em título concedido pelo Governo do Ceará. A diplomação contribui para manter viva uma manifestação cultural centenária fortalecida pela Reforma Agrária, a partir da criação do assentamento Ipueira da Vaca, em Canindé, no norte cearense, a 118 km de Fortaleza, onde o grupo vive e mantém o reisado, com o apoio do Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária (Pacra), do Incra/CE.

Em nome do grupo os irmãos João e Cosme Ramos receberam o título das mãos da vice-governadora do estado, Izolda Cela, e do secretário estadual de Cultura, Fabiano dos Santos Piúba, em solenidade no palco principal das artes cênicas do Ceará, o Theatro José de Alencar, na tarde de segunda-feira (25). O Reisado foi um dos dois grupos de tradição cultural selecionados para titulação, entre 10 inscritos na categoria Grupo, no edital lançado pela Coordenadoria de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secretaria de Cultura (Secult). No evento a Secult também titulou 16 Mestres da Cultura cearense.

A proposta de reconhecimento do grupo como Tesouro Vivo das artes cearenses foi apresentada pelo Pacra, ação cultural do Incra/CE criado em 2003 para apoiar e fomentar iniciativas culturas em assentamentos cearenses. “Produzimos o projeto e apresentamos no edital com o objetivo de fortalecer cada vez mais a cultura popular desenvolvida pelo grupo de reisado de Ipueira da Vaca, mantendo viva uma cultura de raiz, que conta com a participação constante de jovens do assentamento”, disse Silma Magalhães, coordenadora do Pacra. Maior visibilidade da expressão artístico-cultural de uma comunidade rural assentada, apoio financeiro, prioridade em editais de cultura do estado e participação de evento culturais estão entre os principais benefícios da titulação.

Cultura popular e Reforma Agrária

Explicar a história do Reisado da Família Ramos é entrelaçar cultura popular com a luta pela posse da terra. Tudo começa no contato que o patriarca e Mestre de Reisado José Ramos Silva teve com a dança quando menino, na década de 20. Gostou tando da brincadeira que a manteve em seu cotidiano na fazenda em que vivia e trabalhava com a família. (Veja o documentário sobre o grupo)

Mas em 1950 os Ramos são expulsos da área por contrariarem ordem de parar com a tradição. A família encontra refúgio em uma localidade de Canindé, que é desapropriada na década de 70 para criação do assentamento Ipueira da Vaca. Hoje, mesmo com a morte de Zé Ramos e do seu filho Nei Ramos, que manteve a tradição, o grupo permanece vivo e fortalecido no assentamento, com a formação de grupos de Reisado adulto e infantil.

Fortalecimento

O Reisado da família Ramos foi um dos primeiros grupos tradicionais formados ou presentes em assentamentos cearenses a receber apoio do Arte e Cultura na Reforma Agrária (Pacra). Hoje o Pacra celebra o reconhecimento do grupo de Ipueira da Vaca como fruto de um trabalho inciado há 15 anos para fortalecer tradições da cultura popular presentes em comunidades beneficiadas pela Reforma Agrária. "É parte de nossa ação fortalecer o trabalho de raiz, como o do reisado desenvolvido em Canindé, em um processo importante de repasse cultural entre gerações", explica Silma.

Através do Pacra o grupo recebeu apoio para participar de projetos culturais que contribuíram para a manutenção e incremento do grupo. Entre os destaques está a participação em projeto cultural do Banco do Nordeste, em 2005, que possibilitou a aquisição de instrumentos musicais, renovação de figurinos e a circulação do grupo em eventos culturais, além do projeto Sertão da Tradição, patrocinado pela Petrobras e realizado pelo Pacra entre 2009 e 2010, que originou o livro Sertão da Tradição, documentário sobre a Família Ramos e CD com músicas dos reisados. Em 2012, o reisado infantil foi premiado com o Prêmio de Culturas Populares Edição Mazzaropi.

O que é

O Reisado é formado por um grupo de músicos, cantores e dançarinos que percorrem as ruas das cidades e até propriedades rurais, de porta em porta, anunciando a chegada do Messias, pedindo prendas e fazendo louvações aos donos das casas por onde passam.

 

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