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Seminário de Educação do Campo discute 20 anos do Pronera na Paraíba


Publicado dia 01/11/2018

 

Para discutir a importância da educação do campo e comemorar duas décadas de criação do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), o Comitê Estadual de Educação do Campo da Paraíba realizou, na terça-feira (30) e quarta-feira (31), em Campina Grande, a cerca de 130 quilômetros da capital paraibana, o "Seminário Estadual de Educação do Campo: 20 anos de Desafios e Conquistas".

O evento aconteceu no Centro de Formação de Educadores de Campina Grande e reuniu aproximadamente 200 participantes, entre professores, coordenadores, alunos, gestores públicos, servidores do Incra, representantes da Secretaria Estadual e de secretarias municipais de Educação, de instituições de ensino parceiras e de movimentos sociais ligados à educação do campo, que compartilharam experiências adquiridas nos 20 anos do Pronera e apresentaram propostas para a construção de novas práticas pedagógicas.

O Seminário contou ainda com a participação da servidora do Incra Sede Conceição Coutinho Melo, que representou a Coordenação-Geral de Educação do Campo e Cidadania da autarquia.

A programação da terça-feira (30) foi iniciada com uma conferência sobre o campo e sobre as "novas ruralidades". Em seguida, houve uma mesa-redonda sobre as trajetórias, as conquistas e os desafios dos Movimentos Nacional e Estadual da Educação do Campo. O dia foi encerrado com um jantar acompanhado de uma apresentação com músicos regionais.

No segundo dia do Seminário, na quarta-feira (31), os participantes do evento foram divididos em cinco grupos de trabalho que dedicaram todo o dia à discussão de temas relacionados à educação do campo, como a formação de professores, a educação do campo e o currículo, as práticas pedagógicas contextualizadas para a convivência com o Semiárido, as experiências pedagógicas em educação de jovens e adultos no contexto do campo, e as práticas pedagógicas em educação popular no contexto do campo.

O evento foi encerrado com uma plenária na qual foram apresentados os principais pontos discutidos pelos grupos de trabalho. Também foi lida e aprovada uma carta de compromissos elaborada pelos participantes do Seminário.


Luta pela educação
Um dos participantes da mesa-redonda do primeiro dia do Seminário foi o ex-cortador de cana e ex-catador de caranguejo Gilmar Felipe Vicente, 38 anos, aluno da primeira turma do curso Normal Médio (Magistério), iniciado em 1999 pelo Pronera em parceria com o Colégio Agrícola Vidal de Negreiros (CAVN), do Campus da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no município de Bananeiras (PB). 

Ele contou sua trajetória desde a lona do acampamento, onde foi alfabetizado aos 15 anos, passando pela formatura no Magistério até a conclusão do curso de Licenciatura em Ciências Agrárias, também promovido pelo Pronera em parceria com o CAVN da UFPB, e a pós-graduação Residência em Trabalho, Educação e Movimentos Sociais realizada pelo Pronera em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), no Rio de Janeiro.

“Nossa turma de Magistério enfrentou muito preconceito. Muitos professores e alunos não nos queriam na Universidade”, contou Gilmar, que hoje vive no Assentamento 1º de Março, em Pitimbu, no Litoral Sul da Paraíba.  Gilmar destacou ainda a importância do Pronera na sua formação e na melhoria de vida de milhares de famílias assentadas. "Precisamos garantir que o Pronera continue, porque ele é uma conquista nossa”, afirmou. Dois de seus irmãos também fizeram cursos através do Programa. A irmã fez o curso técnico em Agropecuária e o irmão também concluiu o Magistério.

Filho de pais analfabetos, Gilmar já atuou como diretor da escola do Assentamento Zumbi dos Palmares, no município de Mari (PB), como monitor do curso de Residência Agrária em Bananeiras, e ainda participou da Coordenação do curso de Residência Jovem - Processos Históricos do Semiárido, promovido em parceria com o Instituto Nacional do Semiárido (Insa). Ele ainda coordenou uma entidade contratada pelo Incra para prestar serviço de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (Ates) nos assentamentos da reforma agrária. "Dei aulas de alfabetização para a minha mãe", contou.

Para Gilmar, é importante que os alunos egressos do Pronera continuem trabalhando em prol da educação do campo. “Mantemos o compromisso de repassar o que aprendemos e de colocar nossa formação a serviço do povo”, disse. Com este objetivo, ele participou recentemente da coordenação de projetos de educação de jovens e adultos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) em municípios do Maranhão.

"O Pronera provocou em mim uma mudança não apenas material, mas cultural, na forma de pensar. Isto permite que a gente eleve nosso nível de vida a partir do conhecimento cientifico acumulado e de uma nova capacidade de leitura do mundo. Sem o Pronera a academia era um sonho muito distante", afirmou Gilmar, acrescentando que precisou enfrentar o pai para estudar. " O estudo produz dignidade e garante uma nova vida. É uma mudança radical. Espero que nossos filhos possam ter acesso à mesma formação que eu tive", concluiu.
 

20 anos do Pronera
O Programa comemorou duas décadas de existência em 16 de abril. Ao longo de 20 anos, beneficiou 186.734 alunos nas modalidades Educação de Jovens e Adultos (EJA), ensino médio técnico, superior e pós-graduação, em mais de mil municípios do país. Nesse período foram ofertados 499 cursos, em parceria com 94 instituições de ensino. Somente em 2017 foram celebradas 17 parcerias para 19 turmas novas do Pronera.
 
Podem participar dos cursos ofertados pelo Pronera jovens e adultos dos projetos de assentamento criados e reconhecidos pelo Incra, quilombolas e trabalhadores acampados cadastrados na autarquia, e beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNFC). No caso da EJA nas modalidades de alfabetização e escolaridade/Ensino Fundamental, também podem participar os trabalhadores rurais acampados e cadastrados pelo Incra.


Pronera na Paraíba
O Programa iniciou suas atividades na Paraíba em 1999 e já formou 3.642 alunos em 26 cursos. Outros dois cursos, que somam 45 alunos, estão em execução, sendo uma turma de graduação em Licenciatura em História e uma turma de graduação em Licenciatura em Pedagogia.

No Estado, foram oferecidos cursos de EJA, nas modalidades de alfabetização e escolarização dos anos iniciais; cursos técnicos profissionalizantes nas áreas de Agropecuária, Zootecnia, Agroindústria e Enfermagem; cursos normais de nível médio (Magistério); cursos de graduação - Licenciatura em História, Ciências Agrárias e Pedagogia; e cursos de pós-graduação em residência agrária.
 

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